A GRANDE SECA

A GRANDE SECA

Este ano ficará marcado na história do Brasil por este longo período de estiagem que atravessamos, em pleno verão. Fala-se na pior seca dos últimos 30 anos ou até 84 anos, se considerarmos apenas os meses de dezembro e janeiro, segundo dados da SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).
Os prejuízos são enormes, em nossa matéria de capa, a jornalista Silvia Marrat Sitta, levantou os números das estimativas de quebra de safra dos principais produtos agrícolas: café – 30%, cana – 10%, feijão – 11%, citros – 30% da safra de São Paulo, soja – 25% da safra de Goiás, milho – 21% da safra de Minas Gerais, leite – 20% da produção de Minas Gerais. Impressiona mais quando traduzimos os números: serão 15 milhões de sacas de café perdidas, isto significa praticamente a metade de todo café que o Brasil exporta anualmente. No caso da cana-de-açúcar também há motivos para alarme, segundo a consultoria Archer Consulting, com uma quebra de 5% na produção do Centro-Sul, o Brasil sozinho zera o superávit mundial de açúcar, só que as projeções indicam uma quebra de 10% para a cana!
Neste mesmo Brasil, aflito pela seca, recebemos a notícia do Clube da Irrigação, no Rio Grande do Sul, que bateu a meta de produtividade de milho, com média de 300 sacos por hectare, debaixo de pivô, é claro. Não fica evidente que a irrigação é uma questão estratégica para o país?
Gol contra, foi a decisão da FEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) que revogou a autorização para a captação de água de rios, para uso em irrigação, nos projetos do programa Mais Água, Mais Renda do governo do Rio Grande do Sul. A iniciativa dos gaúchos fez a área irrigada do estado crescer espantosamente; em três anos vão atingir a mesma área de irrigação que foi feita em trinta anos, demonstrando que o grande entrave para o crescimento da irrigação no país está nos gabinetes da burocracia.
Mas quem tem irrigação também precisa saber usar a água com eficiência e é este tema que nossos articulistas exploraram. O Prof. André Fernandes assina o artigo “Como irrigar o cafeeiro em condições de escassez de água?”. José Giacóia Neto, de forma prática, ensina como não desperdiçar água em projetos de irrigação, no artigo “Manejo de gramados e jardins”. Já o Luiz Andrade preferiu mostrar em seu artigo, “Irrigação em extinção”, a mudança de hábitos de irrigantes de tomate, que estão migrando para o uso do gotejamento em lugar da obsoleta técnica de irrigação por sulcos. Esta edição traz ainda uma entrevista com o cafeicultor, irrigante e presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari, Cláudio Morales, que vai liderar o grande evento da cafeicultura irrigada, a FENICAFÉ.